Recuperação do Palácio do Freixo

Porto, Freixo, 1996

“O Palácio do Freixo, cuja construção se iniciou em meados do século XVIII, situa-se a poucos quilómetros do centro da cidade do Porto, na margem direita do rio Douro. Projecto da autoria de Nicolau Nasoni, o edifício, de planta quadrada rematada por quatro torreões, foi localizado numa sábia posição na encosta de uma pequena colina e numa curva do rio, com os seus eixos orientados sobre os pontos cardeais, o que lhe garante uma forte implantação, reforçada ainda por plataformas que o prendem ao relevo do sítio. 

Trata-se de uma villa de repouso e prestígio, certamente tardia em relação aos seus modelos italianos, mas representativa de um período da história portuense em que a nobreza e a igreja encontram na arte barroca a manifestação formal do seu estatuto. 

Com a venda do palácio e dos seus jardins, em meados do século XIX, é iniciado um processo de progressiva alteração que se traduz em obras de renovação interior do edifício e, no exterior, pela sucessiva implantação de edifícios fabris, desde uma fábrica de sabão, a poente, a uma fábrica de moagem - a Harmonia - a nascente. Reconhecendo a importância central do Palácio do Freixo, a solução apresentada recupera, além do edifício, os seus acessos, pátios, muros, jardins, fontes e peças de água, identificáveis como elementos estruturantes ou complementares da composição nasoniana. 

Não tendo sido fornecido um Programa rigoroso para a reutilização do Palácio do Freixo, o que se compreende, uma vez que pela sua natureza o edifício dispõe de uma forte estrutura compartimental, cremos que ele poderá satisfazer eficazmente o seu novo destino, não tanto quanto a instalação de serviços de natureza administrativa, mas quanto ao seu poder de representatividade, quer pelo valor do edifício e seus espaços exteriores quer pela sua situação”. 

Fernando Távora, Porto, 1997